 |
|
A
Santa Casa da Misericórdia de Cabeço de Vide,
fundada pela Rainha D. Leonor em 1498, está incluída
nas primeiras onze Misericórdias fundadas por esta figura
régia. Do edifício sede, que fica ao lado da Igreja Matriz,
fazem parte o Hospital, a Igreja e o Salão dos Mesários da Irmandade.
É possuidora de um valioso património imobiliário, bem como de um
riquíssimo arquivo documental, factos testemunhados em heráldica do
Concelho de fronteira, onde se lê: "A Misericórdia de Cabeço de Vide
é uma das mais vetustas do país, contando com um património artístico
do qual se destaca um belíssimo conjunto de bandeiras, recentemente
submetidas a cuidadoso restauro, bem como um fundo arquivístico do
maior interesse para a história local". |
| |
Como capa de dois velhos alfarrábios foi encontrado
na Misericórdia de Cabeço de Vide, em 1990,
um pergaminho com o desenho de um mapa dos princípios
do séc. XVI, onde está representado o Mar Mediterrâneo
e as nações, cidades e portos que então
o circundavam. Esta Carta de Marear, documento de alto valor
histórico e cartográfico, é um dos mapas
náuticos mais antigos que se encontram em Portugal,
pois pensa-se que seja contemporâneo da descoberta do
caminho marítimo para a Índia.
Pode ter acontecido que este exemplar, tão raro quanto
precioso, pertencesse ao fidalgo navegador D. António
de Azambuja, ou ao seu pai D. Diogo de Azambuja, também
homem do mar, e que o tivessem deixado à Misericórdia
de Cabeço de Vide. Entretanto os tempos e os séculos
passaram, alguém terá julgado aquele pergaminho
inútil, tendo-o cortado em dois e adoptado a capas
de dois livros de arquivo.
Presentemente fazem-se estudos comparativos com outros mapas
congéneres em Itália.
|