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Forca, despida já de todos os acessórios
necessários à sua função, fica situada
no outeiro do mesmo nome, a poente da Vila. À saída
de Cabeço de Vide para Fronteira podem ver-se dois obeliscos
paralelepípedos de alvenaria, gastos pelo tempo. É
o que resta da Forca das justiças de Cabeço de
Vide. Ela era complemento da função do pelourinho
para os casos de pena de morte e, ao contrário deste,
localizava-se fora do aglomerado populacional.
O condenado era pendurado com uma corda ao pescoço suspensa
de uma viga atravessada horizontalmente e sustentada pelos prismas
que ainda hoje se mantêm no seu lugar. A morte dava-se
por asfixia devido à estrangulação e distensão
das vértebras cervicais.
O seu valor arqueológico aumenta, pelo facto de ser o
único exemplar conhecido que escapou à destruição
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sequência da abolição da pena de morte;
em Portugal Continental, em 1852 para os crimes de natureza
política e em 1867 para os crimes civis.
Sabendo-se que Cabeço de Vide deixou de ser sede de
concelho em 1855, tal facto pode ter motivado a não
destruição deste monumento.
A leitura dos relatórios da Inquisição
de Évora dá-nos conta da existência em
Cabeço de Vide, nos séculos XVI e XVII, de uma
numerosa e activa Comunidade Judaica. Cabeço de Vide
foi mesmo, nesta época, uma das vilas do Alentejo mais
atingidas pelo terror inquisitorial. No período 1533-1668,
conta com duzentos e onze dos seus naturais ou residentes
atingidos por penas (abjuração, perda de bens,
prisão, tortura, décimo sétimo lugar
na lista das trinta e quatro cidades e vilas mais sacrificadas
pelo braço forte da Inquisição de Évora.
Considerando vários factores de natureza arquitectónica
e topográfica, não é de excluir a hipótese
da Judiaria de Cabeço de Vide se situar na zona da
Rua Bento Varela, antiga Rua do quebra Costas.
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